Pedro Aguiar conquista o 14º Concurso Internacional de Guitarra Alhambra

[dropcap]V[/dropcap]iolonista brasileiro venceu o 14º Concurso Internacional de Guitarra Alhambra, um dos mais conceituados concursos internacionais do mundo. Nesta entrevista, ele conta como se preparou para a competição, a importância de tê-la conquistado e a cena musical em Munique.

Concertista: Como se preparou para o concurso e qual a importância de tê-lo conquistado?
Pedro Aguiar: A preparação para este concurso diferenciou-se dos demais porque me dediquei a um trabalho de concentração intensivo. A prática do judô e o livro Siddhartha, de Hermann Hesse, que eu estava lendo, ajudaram-me bastante no controle da ansiedade, evitando que isso atrapalhasse todo o trabalho técnico e musical que eu já havia realizado.

Minha rotina de estudos foi a mesma, praticando diariamente de 6h a 11h, seguido por um pequeno descanso antes de ir ao trabalho. Iniciava com um estudo técnico e, em seguida, trabalhava as obras ou partes que ainda não estavam totalmente enraizadas. À noite, gravava uma das provas e analisava o que deveria trabalhar com mais afinco no dia seguinte. Felizmente, toquei alguns concertos com esse programa e vários amigos me escutaram, o que propiciou uma atmosfera de concerto.

Este concurso é um dos mais importantes da Europa, não só pelo prêmio em dinheiro, mas também pela possibilidade de gravação de um CD pela Naxos, maior selo distribuidor de música clássica do mundo e um acordo de difusão proporcionado pela Manufacturas Alhambra. A conquista deste prêmio é, antes de tudo, o reconhecimento de um trabalho árduo de vários anos e a possibilidade de divulgação do meu trabalho para mais pessoas.

Concertista: A cena musical em Munique oferece boas oportunidades para violonistas?
Pedro Aguiar: A cena musical em Munique é intensa, aqui estão duas das melhores orquestras da Alemanha, a Orquestra da Rádio da Baviera, e a Orquestra Filarmônica de Munique, além da Ópera do Estado Bávaro. Toquei com músicos dessas instituições em diversas formações, e existem séries de concerto de música de câmara, nas quais o violão é sempre requisitado.

Em 2018, apresentarei uma adaptação da ópera Cosi fan tutte, de Mozart, com a Ópera de Câmara de Munique. Serão 18 concertos em importantes salas na cidade.

Durante meus anos de estudo, toquei várias vezes pela Fundação Yehudi Menuhin Live Music Now, que organiza concertos em escolas, asilos, prisões e em outros lugares onde as pessoas estão incapacitadas de sair. É uma boa oportunidade para testar programas e ajudar nas despesas da vida estudantil.


Publicado na 2º edição da revista CONCERTISTA

Publicado por Roger Canesso

Editor e Coordenador Editorial da revista CONCERTISTA. Estudou Licenciatura em Música na Universidade do Estado de Minas Gerais. Especialista em Projetos Editoriais pela UNA-BH.

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