Foto: Andrea Rocha
Para Marina Cyrino, a sala de concerto não é o único palco para a música erudita. Prova disso é o projeto Ópera com cara de cinema, criado pela soprano e que tem como objetivo produzir clipes com árias de óperas. Essa iniciativa é louvável e deve ser comemorada, pois conecta a música clássica ao mundo digital, aproxima a ópera dos jovens e leva essa música para fora do círculo fechado dos músicos profissionais.

A ária Hello! Oh, Margaret, it’s you!, (Alô! Ó, Margaret, é você!) da opereta The Telephone, do compositor italiano Gian Carlo Menotti (1911-2007), foi a primeira peça que ganhou um clipe. Marina mostra muito talento no papel da protagonista Lucy, que conversa ao telefone com a amiga Margaret (as respostas de Margaret são ditadas pelo piano, criando um diálogo bem humorado entre voz e instrumento). A qualidade de som, imagem e direção são impecáveis. O segundo clipe do projeto é sobre a ária Adieu, notre petite table (Adeus, nossa pequena mesa) da ópera Manon, do compositor francês Jules Massenet (1842-1912). Aqui, o bom humor dá lugar à melancolia, e a soprano se sai muito bem na pele de Manon Lescaut.

Marina estudou em Nova York com Lorraine Serabian (interpretação), Tony Manolli, Deborah Birnbaum, Lorraine Nubar e Stephen Smith (canto). Como solista e produtora, trabalhou nos espetáculos Arte por Elas, com direção musical de Mirna Rubim, e Mélodies, dedicado à música francesa. A soprano também se apresentou em montagens de óperas e concertos de música de câmara. Foi Adele na opereta cômica Die Fledermaus (O Morcego) de Richard Strauss (1864-1949), e Drusilla e Verene na montagem de L’Incoronazione di Poppea, de Claudio Monteverdi (1567-1643), e interpretou peças de Vivaldi e Pergolesi no projeto de música de câmara Calvariae.

Levar a música erudita a um público cada vez maior é um desafio e um desejo acalentado por músicos e orquestras. Marina é bem sucedida nessa tarefa e a faz com criatividade, inovação e, principalmente, sem abrir mão da qualidade.

Sou apaixonada por cantar e pela forma de contar histórias através da ópera.

Concertista: Como surgiu o projeto Ópera com cara de cinema?
Marina Cyrino: Em primeiro lugar, surgiu da vontade de botar a mão na massa. Sou apaixonada por cantar e pela forma de contar histórias através da ópera. Esse projeto se tornou uma grande oportunidade de explorar uma nova linguagem, uma nova forma de fazer música. Eu e meu parceiro nessa empreitada, o cineasta Pedro Nogh, queremos mostrar que a ópera é jovem e para todos.

Concertista: Em quais os outros projetos você está trabalhando?
Marina Cyrino: Venho me dedicando a óperas, concertos de câmara e recitais. Em 2017 realizei o concerto Le chantoublié, que explorou a temática do amor na música francesa, no Teatro Maison de France. Agora estou gravando meu primeiro álbum em estúdio, Cores de Villa-Lobos. É uma homenagem aos 130 anos de nascimento do compositor, com um apanhado de canções populares, da ópera brasileira e de repertório composto para a Broadway. Contei com o apoio de amigos e fãs que colaboraram na campanha de financiamento coletivo. Deixo aqui um agradecimento especial a todos.

marinacyrino.com


 


Publicado no primeiro número da revista CONCERTISTA

 

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2 comments

  1. Parabéns a todos pela feliz, desejada e necessária iniciativa!
    O perfil de dar voz aos músicos em especial é muito valioso para nós músicos, professores e público! Vou divulgar!
    Também o variado cardápio foi inspirador da leitura e surpreendente: de pianistas, oboistas , regentes a flauta doce!

    Sucesso !

    1. Oi Hugo,

      Que felicidade saber que conseguimos a admiração e o apoio de um colega de profissão!
      Sentíamos falta de uma publicação q, como vc disse, desse voz aos músicos.
      Acreditamos q é necessário documentar o pensamento dos músicos eruditos.

      Muito obrigado pelas palavras e pelo incentivo.
      Abraços e ótima leitura!

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